Alento (derivação regressiva de alentar) 1. Faculdade ou força precisa para respirar. 2. Ar expirado, hálito, respiração, fôlego. 3. Força ou vontade para realizar algo; coragem, esforço, vigor. 4. [Poética] Inspiração artística. Alentar v. tr. 1. Dar alento a. 2. Animar. 3. Robustecer. 4. Acalentar. v. intr. 5. Respirar. v. pron. 6. Tornar lento ou mais lento; demorar. Anelar (latim anhelo, -are) v. tr. 1. Respirar com dificuldade. 2. Desejar ardentemente; almejar, ansiar. adj. 3. Relativo a anel.
Os sentimentos vastos não têm nome. Será mesmo o amor duro e inflexível? Se dobro-me bem de um extremo ao outro, curva retorcida, à mais vasta das calmas, sei que não é verdade. O amor, e mais nada; desvencilho-me da raiz brava das coisas, ferocidade dos tempos eternos, mas não desfaço o nó; de frouxa, franzina que pareça, a tenaz verdade de buscar um nome. Que nome? A ousadia da pergunta faz em concha nas mãos a verdade crua, impossível e leve, da resposta. Leve, seda maleável, alva preciosidade. Da pouca importância ao sentimento mais vasto de mundo. O mundo que te tenha, e há de ter, e eu que abra as mãos. Toda tua a resposta, colada ao ouvido de concha, entregue ao destino. Se aprumo-me inteira, maleável e encaixada nesta bruma da entre-consciência, que é volúpia transformada em sono, dúvida tornada voz, in-hesito; se pairo delineada feito contorno de nuvem, dissolvida, flutuante, superfície de água, margem de sonho e som, inebriada e confrontada com a toda-atenção minha de gravitar tão resistente em ti, apenas para abrandar, enternecer, curvar-me, e o leito nosso seguir correndo em onda, movimento puro; metade planície, metade montanha, por conta das curvas, sinuosas, delicadeza bruta e desordem apaixonada, sob medida, que, ao franzir de cenhos, deságua, ressoa, cria nova fonte, afunda, inunda, e faz minúcia, horizonte, e volta todo em turbilhão. Que nicho: de bem servida, daqui não há vontade de deixar. Se for, leva. Para dizer que só eu te sei assim, para contar-te assim pelas beiradas de um ínterim ilimitado (que, se fosse poema, seria eterno), é preciso engolir um pouco deste excesso, daquele que me faz murchar inteira em flor, alento a escapar-se, fazendo das outras respostas perpétuas indigentes. E apenas teu nome saberia. Meu alento, minha alegria, se ao menos não se engasgasse a água entre cada pronome de terra, principalmente ao tamborilar pelos possessivos. Nunca dura e inflexível: então devo ser água. Para não ser o ar que tu és: ah, minha alegria. Não tem nome. A juventude ergue e condena. Saber que, no teu ar, eu sou a liberdade. Saber do tempo asmático em torno do anelar puro, não-livre. Sei, mas respiro ainda o amor inominável.
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