domingo, 30 de março de 2014

Contando carneirinhos

Sofres porque queres, e sofro porque queres. Percebe o erro? Eu sempre estive aqui, ouvidos e braços, coração. Criaste teu buraco e me jogaste nele. E agora? Que argumento racional usar para que decidas me jogar a corda? A que coração apelar? O de pedra já me foi atirado na cara. Este buraco é agora meu ninho de amor. O amor sobrevive. Não, não é certo. Fortaleza. E umas águas embaixo, no desespero de não se fazerem ouvir. A angústia de saber-te sofrendo. A angústia mais constante de sofrer tanto mais, tão solenemente, tão impotente. Só quereria dar-te a mão. Dar-te tudo, até a minha ausência. Eu entenderia. Uma ofensa sem medida. Me fizeram de pedra quando eu queria ser feita de amor.

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