Se eu precisar de quatro estações para me recompor do pó? Desabrochar e desvanecer, fraquejar, resfriar, ressecar, arder, dessedentar. Botão de flor. Se eu mirar a dose temporal do mundo, percorrer a via, fizer translação do meu afeto, fizer círculo completo, percalçando as bordas e plantando começo junto com fim, cultivo diário, deixar-me espalhar em semente no vento, querendo fazer (h)era, anti-estacionária, mas secretamente fazendo minúcia das variações? Desabrochei. Desabrochei de novo, desabrochei de dentro pra fora do amor, de fora pra dentro murchei e desabrochei de novo, enterrei bem a fonte da desunião no peito e a ela me recolho pela manhã e pela noite, meu templo de paz. Busquei-o de dentro pra fora, de fora pra dentro. Então, vieram fogo, água e ar. Exatamente o que ele é: as estações. Uma a uma, destruição e amor. Arder, dessedentar, tomar fôlego. Enterrei-me bem nele, desabrochando firme sem escusa de luas. Dos olhos escuríssimos, Púrusha cristalino. A cada dia mais distante do fogo último, a cada dia mais perto do fogo próximo? Do turvo à limpidez: permanência máxima, minha terra, terra, terra.
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