Só peço, a não sei quem, nem como, a possibilidade de ser duas: uma que siga a tal disposição dos dias reais de minha vida, representando aquilo que de concreto acabei sendo, e outra que siga os mesmos princípios – senão não seria eu, e apesar de tudo tenho apreço por mim –, mas que tenha coragem, ao invés de tanto medo, e vivencie também, e principalmente, meus sonhos inebriantes, tornando-os palpáveis. Simplesmente em função da impossibilidade da convivência ou concomitância das duas versões de mim em uma só pessoa. Seria inconcebível manter minhas condições atuais de existência se eu perpetrasse a aventura por meus mais irresistíveis sonhos, mesmo porque muitos deles continuariam ainda irrealizáveis ainda que eu me dispusesse a abster-me das estruturas sobre as quais se sustenta meu viver real, e me dispusesse a enfrentar as conseqüências daquilo que quero para o que eu sou. (Saltar para o abismo e descobrir que nada há lá embaixo para mim.) Talvez eu explodisse em contradições. É tudo demasiadamente conflitante e ofensivo, meu sonho desafia demasiadamente minha covardia natural. (2010)
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