sábado, 11 de fevereiro de 2012

Lua

Queria ser a lua. Para que, talvez, você olhasse para cima com um ar sonhador e ficasse a me perscrutar, bem à sua maneira de conquistador, tecendo enredos fantásticos na sua cabeça de pôr-do-sol, que você gosta tanto. E quando fosse crepúsculo de verão, assim bem claro, com uma estranha brisa bem-vinda, eu seria o ponto alto luminoso no céu da sua existência, um detalhe, um enfeite, mas tão querido, que eu nem iria me chatear de só aparecer às vezes. Eu ficaria feliz de tê-lo de longe, sem prender, orbitando apenas, enquanto você encantasse o mundo com seu escândalo de luz contagiante, calor humano que eu já comecei a esquecer. Faz sete dias que eu te vi, mas parecem trezentos e sessenta e cinco dias de reles humanidade girando em torno de um sol. E eu nem me envergonharia de te adorar, porque meu rosto queima e o ar estaca todo dentro do meu ser só de pensar em tê-lo para mim. Mas, apesar de você me ofuscar, sinto como se fôssemos da noite, eu um reino infinito de escuridão com um ponto luminoso e solar que me faz ver todas as estrelas do céu. E nesta falta de ar que me é você, aprendo, no entanto, a respirar mais fundo, e sentir cada constelação pairando no nada, aspirando a noite para dentro de minhas pupilas de moça-satélite. E eu nem me importaria de parecer boba, mesmo que você continuasse a visitar outros planetas e espalhar aquela sua arte como só você sabe fazer. Desde que você se lembrasse de voltar de vez em quando, a namorar a lua cheia que veio se impor na minha noite só para me lembrar de que estamos minguando, e de que, talvez, nunca voltemos a crescer. Mas eu nem vou me importar, porque sofrer só me tira mais fugazmente o brilho, e estrela temporária eu já deveria ter imaginado que eu haveria de ser.

Um comentário:

  1. não hás de ser estrela temporária nunca! é que nem todos enxergam teu brilho. :)

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