quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Como é que se vive?

Não pode ser coincidência eles falarem de outono. Que dia é este, em que sinto desabrochar em mim solitária flor, água de primavera? Ritmo ensolarado dos meus dias de espera, refúgio, cultivo, sombra, encontro, colheita, consumição. Oito tempos vivi, para saber hoje aguda a reticência da minha morte. Estou enamorada. Aqui me encontro como anti-blasé: o avesso da indiferença. Ser passional. Um nicho em que tudo importa, um nicho em que me encontro, sonhada, sonhando palavras. Serei sonhadora profissional. Que a gente sonha com um rigor tal, que é pura entrega humana. Já não se separa interesse intelectual do emocional. Sou o inferno humano, o problema humano de estar em conflito com tudo a todo o tempo. A vida não é dada, o mundo não é evidente, a comunicação não é transparente, o sentido não é unívoco. Não é que o mundo se adapte ao sujeito, nem o sujeito ao mundo. É que não se separa o mundo do sujeito. É que há outras formas de existência possíveis. Há todos os mundos possíveis. Estou aquém do entendimento. E completamente imersa. As contradições do existir. Mito. A pergunta é sempre a mesma. Como viver?

Um comentário:

  1. Me encontrei nesse texto. Quando você diz ser sonhadora profissional, que não consegue separar o intelectual do emocional, um ser passional, sou eu, sem tirar nem por. Me pergunto todos os momentos como viver, e não cheguei a resposta alguma além de seguir vivendo. Lindo texto moça. Definitivamente está entre os meus favoritos.

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