Que jeito tens de conduzir-me.
Estou como que hipersensível. E faz perfeito sentido. Sim, tem de haver uma
explicação, e é esta: há química. Explosão. Que jeito tenho de ser conduzida.
Mas é via dupla. Vens, e vou, e vais, e venho, e tudo é fluxo. Univocamente?
Inequivocamente. Deixa, porque não é falha. Deixa, porque não te quero
assustar. Tens um jeito de encantar-me, que sei que não é esforço algum.
Descontraído. E tão firme, que ah, no contraste comigo eu tento estar à altura.
Como oscilo! Estava imersa em minha quietude. Sóbria e árida, mas ah, que
suavidade intensa tens em mim. Foi qualquer coisa de voz que eu ouvi com toda a
atenção do meu ser. Estavas assim tão perto, que já não te podia diferenciar; e
a voz se imiscuía no sorriso e se fundia na textura da pele assim com a leveza
de tudo que só é. Estamos sendo, apenas, sem predicativo. E a voz me dá calma,
uma calma sentida e almejada, mas quase distraída, com aquele meu esforço sutil
de ser eu mesma. Eu mesma? Eu mesma... Porque estou contigo. Que jeito tens de
me fazer cativa, calada, introduzida, alheada, interessada, fácil vivente,
amante, perdida, silêncio com mão na frente da boca. Desculpa, não era para ter chegado assim tão profundo de repente; olha, é mania. Sou "intensa".
Desculpa: era assim um sentimento antes mesmo de eu tê-lo sentido. Se falares
nele, eu me encolho, porque ele existe. Porque és tu, e não um outro, como há muito não me haviam tocado, talvez como nunca houvesse sido... Como poderia me confessar? Acho que encontrei a palavra: receosa.
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