Prefiro dar-te coisas que não me poderias pedir
do que te pedir coisas que não me poderias dar.
Então é compreensão. Que me abala e interpela à parede que ergues entre Tu e Eu. (Porta.) Mas é porque entendo: a parede é o nosso próprio entendimento. Entendo, entendo; colho o que me dás, botão de rosa em minhas mãos pequeninas, sorvo a graça, tua cumplicidade, e cultivo melíflua esta relação de opostos, este estranho mutualismo. Porque é dádiva. Não há metafísica que me distancie. Estou perto, porque longe. Que me venhas com espinhos. Porque tal é a tua realidade. Então nos dispomos assim, sobrepostos – um engolfa o outro –, mas lado a lado, parede, antessala: Tua realidade, parede, e a Minha. Eu através dela. Metafisicamente. (Perscruto. Janelas, para que me venha luz. Janelas, que eu tentaria abrir a ti, roubar a mim teu escuro, dar luz de presente. Se eu pudesse crer no que vejo.)
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