domingo, 2 de dezembro de 2012

Iminência

Eu deveria ser sozinho no mundo.
Eu, Steiner, e nenhuma outra coisa
viva. Sem sol ou cultura, eu, nu numa
pedra alta, sem neve, ruas, bancos ou
dinheiro; sem tempo, sem respiração.
Então, eu não teria mais medo.

Para antes do homem, e além do homem, são as paisagens nunca vistas, todos os mundos possíveis, a imagem inconcebível, porém, sentida. Em situação extrema, corda sobre o abismo, atravesso hipersensível. Todo o meu escape me grita a precisão de esforço demandado. Meu ato extra-humano. Meu êxtase extra-humano, porque é extra-corpóreo, é extra-mental; meu sentimento paira além da minha existência, por sobre a minha frugal racionalidade, além dos portões de minhas abstrações de idéias, sempre, por um triz, fora do alcance do exprimível. E meu olhar é espelho. Sair de si, deslizando incontentavelmente para o maior. Caio para fora, porque minha cultura não mais me detém. O vasto me chama, e já não posso ler. O que são palavras? Já não posso ver coisa alguma que não o mundo inteiro, possível nos caminhos da iminência do morrer um dia. E é, assim, a simplicidade sempre almejada, latente na epiderme dos meus desejos, soterrada nos atos contínuos de meus dias de vida, desvivida. Na natureza, vejo que é tudo interior e exterior. O fazer perceber é grave, porque queimam em minha pele todos os afetos, ardentes porque um dia caí neste molde de pessoa que sou. Petrificada em gelo nesta obscuridade. A miragem é o outro lado do abismo, apenas vislumbre. Um outro estado de matéria me espreita. O sublime, infinito, por um triz. Se é perigo, receio do desconhecido: fico à beira. Tortuosa, falível, silenciada.

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