terça-feira, 17 de novembro de 2015

Diluviada

De cinza, molhei o corpo
(de rio) seco de ti,
drenado, jazigo, estacionária dos dias
em que o assombro fez-te escuro
escura água, e dos ares, retumbantes
rarefeitos, meus defeitos, minhas escusas
rutilantes no silêncio.

Te encerras, apartado meu, das dúvidas (meu leito),
me escorrendo perda, (e fecha o peito) clamando
a sede a inundar-me de ti.

E desataviada, feita nada
que há de ser do que foi tudo?
que há, amor, de ser do gosto, metalizado

do sempre-assombro de te ter (não tendo)
quando, em dia de rútilo, tu (se vieres)
fizer da água fogo (eu, terra arejada)
fizer da dor esquecimento?

quando eu te vir, sem o poder dizer
por que chorei?

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