A ti, meu silêncio de paisagem. Meu aguardo incauto, meu suspiro torto, e a palavra que eu dirijo, que só de pensar-te tenho atrevimento. A ti, o meu corpo desde sempre. Para dissolver nas falhas, nos recuos, nas imprecauções. A ti, eu-caçadora, esposo perdido no mar. Eu-dama, eu redescoberta em ti. A ti, eu sempre duvidosa dos enleios, temerosa das sirenes, das sereias, dos monstros do âmago, teus e meus. Faço aqui no peito um ninho, de calor e vento, que te queira aquecer, que te queira dar vôo. Tua boca de asa nas minhas fomes. Minha vida de terra que se colha toda ao deitar-se em água turva que, por falar minha língua, faça-me amor, nunca retorcida em teus ouvidos de concha. Se te faço ode, é só a noite: não há de ser nada. Sim, mesmo no amor há que se ter senso de medida.
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