terça-feira, 17 de novembro de 2015

Quanto durou o para sempre

Daquela expressão, a ti infrequente, mas que em domingo azul dá o ar da graça, e é como um nó interno na cabeça, descendo amargo pela garganta, apenas diria: medo do passado, medo do futuro. O teu ou meu passado; sou eu mesma concorrente de ambos, apesar de qualquer meia verdade que o presente ofertar, ou qualquer dádiva inteira que eu souber receber. Só as quero inteiras: dádivas, verdades, histórias. O teu ou meu futuro, e eu mesma concorrente, pelas frestas dos minutos, deixando que tu e eu viremos história a cada tempo e os tempos apartados sejam um tanto reflexo de alguma parte, conquanto pequena, da história seguida e consecutiva dos momentos conjuntos, e o aroma do dia que nasce se tenha todo inflexionado na aba eterna do teu ser em mim. E eu: nada? Embora cúmplice do presente. Que já, em vez de ganir inutilmente diante do nada, diria Hilda, agora mordo mais ferozmente o meu hoje, junto contigo. Dimensionado, expando meu momento pelas beiradas do foi e será, e já não sei compactuar com as medidas do tempo. Mas com o olhar todo aumentado, busco ser mais do hoje do que fui, atenta ao que não hei de ser, para ainda poder, ao menos, colher teus hojes como se fosse o mais eterno dos tempos, que assim, talvez, eu os viva suficiente, sem colher migalhas quando a ampulheta virar; ser pessoa inteira em cada minuto para ti, cumprir limite máximo em todos os teus caminhos, travar um passo ao teu alcance que te impeça de dar a volta e ver por trás de mim a falha em meus ombros, e que ao teu olhar sobeje apenas as mãos abertas ao teu mais eterno derramar. 

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