terça-feira, 17 de novembro de 2015

Solitude

...the love which consists in the mutual guarding, bordering and saluting of two solitudes.
Rainer Maria Rilke

Revestida de luz, te volto a ver. Se o sopro não se adivinhasse para além das palavras. E se eu apenas escutasse o que dissesses. Sem o presságio da minha falta de solo a vir depois. Promete? Diz uma coisa certa? Te parece difícil? E bastaria. Te pareço esvanecida de tempo? O mesmo tempo que é senhor das tuas poucas palavras? O mesmo amor diluviado em todas as minhas? Se profusa, terrestre, extrema, indócil... Revestida de sol, a imagem em mim: não era a que sonharas. Em mim, de lua: teus olhos de água em seca. De uma envergadura translúcida, que o olhar me atravessa em raso. Por todas as terras que te iluminaram. A mornidão deste oco instável em que oscila minha confiança. Fronte entrecortada de não dito e mãos calejadas do fastio da palavra abundante. E o diálogo inóspito. Que me venha a calar. Para que eu não me entregue. Que o desamor me aposente, e se canse de visitar. Que o amor não possa ser, ou só deva ser, um passatempo? Um limiar? E que eu sobeje nesta fonte de eterna solitude.

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