Que belo é o mundo... Minha hora favorita, é crepúsculo com chuva. Passo diante da fonte perto da torre onde nunca fomos... Passo diante do nosso hotel de namorados... O escuro dança com minha lágrima, contida. Sou insonte. Impenetrável. Quem me vê não saberá que eu carrego um buraco negro. Toca-me, se tens coragem... Cairás para dentro... Arrasto, peço perdão, e te arrasto de novo... Então não sou transparente, sou turva... Sou artefacto: minha arte nula de sonhar-te, o fato nulo de não ter-te, vou crescer-te e anular-te, como fui nulificada... Não me digas nada... Porque coleciono palavras... Sou romântica pós-moderna... Fujo para o vento das árvores... Que placa me guia ao caminho de mim? Sou inencontrável... Se alguém me esbarra, tenho-me por descoberta... Ah, que errada... O escuro parece teu cheiro cantando para me ninar... O frio parece teus olhos escrevendo para eu te amar... Mas já oscilo em ódio ou indiferença... Tanto faz... Não, não tanto faz, não odeio nunca... Darei as costas amando, todos, todos, todos que me violam... Eu sou violenta, adoro dor... A sede parece tua voz me exalando um sono... A solidão parece tua pele me escondendo... Que irrisório... Que grave idéia besta... Que escárnio me circunda em toda e cada relação... Menos contigo... Mas não existes... Quero ser real, respeito, companhia... Sinto falta de qualquer íntimo... E teu íntimo, vê só, era eu... Mas se me queda aqui meu íntimo, que és tu...?! Quero nada, quero um anestésico... Dê-me anestesia, alívio, e eu farei disto também coleção... Pareço louca... Consterno... Que peso, que trauma, meu bem, meu mal, o que é que fizeste comigo? Nunca mais me sinto normal...?!
Ele bebia água... Todos eles bebem água, bebiam, beberão... E tudo vai e passa, quase nem se sente! Não é para sentir. Simplifique. Dessensibilize. Dê aquela descarga elétrica na tua paranóia. Sê tu...
Bicho de sete cabeças...!
Bicho de sete cabeças...!
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